Candonga

é um projecto editorial independente, feito de artefactos construídos e desconstruídos na clandestinidade. temos actividade aberta mas trabalhamos de forma não declarada (e pouco clara). acreditamos no contrabando de ideias e nas trocas ilícitas de textos marginais. partimos da base precária de que o projecto se indefinirá a si mesmo, à medida que for sendo alimentado pelos vários arte-factos que contamos que se vão materializando no decorrer das nossas práticas de criação ilegal e de circulação traficante.

não sabemos o que estará no centro do Candonga e da sua acção poético-editorial-performática, mas temos a certeza do que não estará: não temos pachorra para a poesia lírica nem para as discursividades geniais romântico-coiso. para as pessoas que gostam de balizas e etiquetas, temos uma lista das áreas de fazer poético que nos interessam: poesia experimental, poesia visual, poesia sonora, poesia conceptual, poesia-objecto, videopoesia, poesia digital e performance poética. isto é também aplicável a formas que juntem todas as anteriores.

sabemos, por experiência própria, que práticas deste tipo têm muito pouco espaço para circular no nosso país (leia-se: noutros não será necessariamente diferente). é assim que o projecto Candonga se assume como prática ilegal: a partir do momento em que as poéticas ergódicas se encontram invisibilizadas, é como se vivêssemos num contexto em que a sua circulação é proibida por lei (sabemos que as leis mais opressoras não são as que estão escarrapachadas no papel mas sim as que habitam as cabeças individuais e perpetuam os sistemas colectivos). é por isso que o nosso projecto é fora-da-lei.

no Candonga entendemos o conceito de publicação em sentido lato, imaginando objectos textuais que possam surgir nos mais variados suportes possíveis (e, de preferência, também imaginários). embora na primeira linha deste texto nos tenhamos referido a este projecto com o descritivo “editorial”, não quer isso dizer que nos centramos no livro ou sequer no papel – esse meio interessa-nos tanto como qualquer outro.

o projecto Candonga surge da necessidade de duas pessoas fazerem coisas mas quer contaminar outras que desejem ver a sua poesia a circular no mercado negro (a situação está negra). quem tiver uma proposta de publicação/acção/ouoquefor pode contactar-nos e lançar-nos o desafio, teremos todo o gosto em dar algum tempo da nossa atenção a quem de nós se aproxime. porque não temos ânimo de lucro, oferecemos muito pouco: ânimo (tout court, sem lucro), um logotipo candongueiro a funcionar como tecto e algum apoio emocional nos momentos mais difíceis.

o nosso projecto é projéctil, não porque ache que tenha capacidade de projectar alguém, mas sim porque entendemos que os textos são armas de arremesso. agora que pensamos nisso, será que isto faz de nós terroristas?

perguntas e respostas, definições e indefinições: tudo está em aberto. no futuro, o Candonga poderá sempre vir a ser o que ainda não é ou a deixar de ser o que nunca foi.

Bruno Ministro + Liliana Vasques

 

english deriversion (just a derivative version)

in this project you find different materials constructed and deconstructed in an underground fashion and belief concerning the poetry edition. we recognize ourselves as (para) [il]legal workers, producing and distributing poetry through our smuggling network. we believe in smuggling ideas, illicit trading of ‘borderline’ texts. this project will undefine itself along with the illegal poetry creation and its smuggling. to smuggle we need to give a shape to our poetry, a kind of publishing that we see in a broad sense, envisioning multimedia objects and diverse ways of making it smuggable. we do not mean book when we refer to publishing. we want new ways to it. preferably ways we still haven’t thought about.

Bruno Ministro + Liliana Vasques

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